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Folhado de Loulé é candidato às 7 Maravilhas Doces de Portugal®

Já são conhecidos os 420 doces candidatos às 7 Maravilhas Doces de Portugal® e o mais representativo do Concelho de Loulé – o Folhado de Loulé – é um deles.

 

Vidreira Louletano

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Já são conhecidos os 420 doces candidatos às 7 Maravilhas Doces de Portugal® e o mais representativo do Concelho de Loulé – o Folhado de Loulé – é um deles.

No contexto de 907 candidaturas, a de Loulé foi uma das apuradas e irá disputar a segunda fase de votação do Painel de Especialistas da qual vão resultar 140 doces (7 por distrito ou região autónoma), que os portugueses vão votar nas eliminatórias distritais. Estes 140 doces são revelados a 7 de maio, num programa de televisão a emitir em direto pela RTP1. Este Painel de Especialistas é constituído por 140 personalidades, 7 de cada distrito e regiões autónomas.

Os 140 doces são votados pelo público em 20 programas de daytime, a emitir em direto pela RTP, nos meses de julho e agosto. De cada programa sai um pré-finalista que passa às semifinais.

Uma novidade desta edição é a existência de um Grande Júri, órgão de deliberação constituído por 7 figuras do espaço mediático, que será responsável pela repescagem de 8 candidatos que se irão juntar aos 20 pré-finalistas apurados pelo público, resultando numa lista de 28 pré-finalistas.

Os 28 pré-finalistas são divididos por sorteio pelas duas semifinais, nos dias 24 e 31 de agosto, em dois programas em direto na RTP1, transmitidos em horário nobre. Em cada semifinal são apurados os 7 doces, aqueles que tenham mais votos contabilizados. Nesta fase os 7 elementos do Grande Júri assumem grande preponderância, comentando e provando os doces.

A Gala Finalíssima decorre a 7 de setembro e será transmitida pela RTP1, em horário nobre. Dos 14 finalistas apurados vão ser eleitos 7 doces pelos portugueses como 7 Maravilhas de Portugal®.

Refira-se que a eleição das 7 Maravilhas Doces de Portugal® é a oitava edição realizada desde 2007, com concursos que têm por tema os grandes valores da Identidade Nacional: 7 Maravilhas de Portugal® (Património Histórico), em 2007; 7 Maravilhas de Origem Portuguesa no Mundo® (Património Histórico), em 2009; 7 Maravilhas Naturais de Portugal®, em 2010; 7 Maravilhas da Gastronomia®, em 2011; 7 Maravilhas® – Praias de Portugal, em 2012; 7 Maravilhas de Portugal® – Aldeias, em 2017; 7 Maravilhas à Mesa®, em 2018.

Este projeto conta com o Alto Patrocínio do Presidente da República.

História do Folhado de Loulé

Como conta Luísa Martins, investigadora de História local que se debruçou sobre as origens do Folhado de Loulé, este surgiu nas primeiras décadas do século XX, derivado de encontros e desencontros de jovens raparigas que trabalhavam em casas das famílias economicamente favorecidas, que adquiriam conhecimentos de culinária, às vezes no Algarve, outras vezes no Alentejo, ou em outras regiões do país.

Graças a essas experiências e segredos guardados o Folhado de Loulé foi adquirindo vida e personalidade e foi chegando ao quotidiano dos louletanos que, nos cafés mais conhecidos da antiga vila, não dispensavam o delicado doce que tornava requintada a hora do chá ou do café.

Duas mulheres foram fundamentais para a história do Folhado de Loulé: Lídia da Costa Guerreiro Lopes e Maria Pires. Maria, que foi trabalhar para casa de Lídia Lopes, terá herdado da mãe o prazer da cozinha e terá aprendido a arte de fazer folhados algures na Figueira da Foz, próximo de Coimbra (muito provavelmente, os pastéis de Tentúgal, datados de finais do século XIX), onde acompanhava os seus patrões quando estes passavam temporadas de férias no local.

Foi na grande bancada forrada de chapa de latão da cozinha da casa de Lídia Guerreiro Lopes que, na década de 20 do século passado, Maria experimentou o que se tornou a sua especialidade. Estendeu a massa, dobrou-a e recheou-a. Devagar se foi criando a mística à volta dos seus folhados, de sabor único, trabalhados com a calma e a austeridade do rigor laboratorial da boa doçaria.

Quando a tristeza se instalou na casa de Bernardo Lopes por vicissitudes irónicas da vida, a família decidiu abdicar do trabalho de Maria. Mas a cozinheira não desistiu. E com a ajuda das irmãs continuou a preparar os seus folhados em casa, e a cozê-los no forno da “Zefita”, onde entravam pelas traseiras da Avenida José da Costa Mealha. Ali trabalhavam ao longo da madrugada para que, de manhã, fossem vendidos pelas irmãs, ainda quentes, e com um odor aconchegante a cozinha familiar, nos principais cafés da vila de Loulé: o Calcinha, o Barreiros, o Avis, o Avenida, a Vitória, o Faz-Tudo e a Franca.

As irmãs, muitas vezes coadjuvadas pelos filhos, desciam a Avenida, carregando tabuleiros tapados com panos alvos. E toda a gente sabia quando passavam. À tarde, voltava-se à mesma labuta, ao mesmo circuito. E a hora do chá, acompanhada com um folhado, fazia parte do quotidiano do contexto urbano da vila, numa dinâmica comercial, económica e financeira que ficou na memória de muitos louletanos.

Após o falecimento de Maria, Maria José, sobrinha de Maria, com mais duas irmãs, Nídia e Ana, continuaram a arte de Maria. No entanto, Maria José surgiu como a mais dotada no fabrico artesanal dos folhados, com creme de ovo, tal como se define o verdadeiro Folhado de Loulé. Sua filha, Maria Ivone Pires da Piedade, continuou a arte. Atualmente é das únicas pessoas que confeciona o folhado de modo tradicional e manual, tal como desde há cerca de um século.

O renovado Café Calcinha é um dos locais da cidade onde hoje é possível degustar esta iguaria.

 

Ademar Dias

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