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Investimento em hotelaria: Portugal atinge nível de Espanha

O investimento imobiliário em hotéis em Portugal atingiu um volume recorde de 469 milhões de euros até junho, superior ao pico de 275 milhões de euros registado em 2008, segundo um estudo ontem apresentado pela Cushman & Wakefield.

 

Vidreira Louletano

Infiltração Zero

O investimento imobiliário em hotéis em Portugal atingiu um volume recorde de 469 milhões de euros até junho, superior ao pico de 275 milhões de euros registado em 2008, segundo um estudo ontem apresentado pela Cushman & Wakefield.

"O investimento imobiliário em ativos hoteleiros em Portugal atingiu um volume recorde de 469 milhões de euros no 1.º semestre de 2019, um nível inédito no mercado nacional, cujo pico máximo anual havia sido de 275 milhões de euros em 2008. Pela primeira vez, o mercado nacional iguala a dinâmica registada em Espanha, que no mesmo semestre contabiliza 461 milhões de euros", avançou, em comunicado, a consultora.

O estudo 'Hotel Investment in the Iberian Peninsula: Expansion & Evolution -- What's Next' revelou ainda que o mercado nacional atravessa um momento "particularmente forte" desde 2018, quando registou um aumento de 51% no volume transacionado para 226 milhões de euros, um recorde de 10 anos que, porém, se mantém distante da realidade espanhola, onde no mesmo período foram investidos 3,7 mil milhões de euros.

No entanto, Espanha, ao contrário de Portugal, regista uma tendência de decréscimo na atividade de investimento em hotéis, tendo registado em 2018 uma queda homóloga de 18,7%, com um novo abrandamento no primeiro semestre de 2019.

Neste período, em Espanha, as transações de imobiliário hoteleiro totalizaram 461 milhões de euros, menos cerca de 46% em volume em comparação com os 850 milhões de euros transacionados em igual período do ano passado.

Entre janeiro e junho, em Portugal, a atividade (469 milhões de euros) "aumentou quatro vezes" face aos 111 milhões de euros investidos nos primeiros seis meses de 2018.

"Este é um marco especialmente importante", sendo que o peso do mercado português no contexto ibérico nos últimos dez anos não chega a 7%, movimentando 1,2 mil milhões do investimento em hotéis registado na Península Ibérica entre 2009 e 2018, contra os 16,8 mil milhões de euros gerados em Espanha, apontou a consultora.

Citado no mesmo documento, Gonçalo Garcia, 'head of hospitality' - Portugal da Cushman & Wakefield', vincou que a hotelaria "é vista cada vez mais como um setor válido de investimento, assumido na forma de propriedade e operação bem como no investimento para rendimento".

De acordo com este responsável, "a Península Ibérica tem observado nos últimos anos uma canalização de investimento significativa, sendo a origem do capital predominantemente estrangeira".

O estudo da Cushman & Wakefield revelou ainda que, apesar de Espanha receber um investimento acumulado "muito superior" ao de Portugal, é Portugal que regista "quase sempre" o preço médio por quarto mais elevado ao longo dos últimos 10 anos.

Em 2018, esse valor atingiu 338 mil euros em Portugal, 2,5 vezes mais que os 140 mil euros registados em Espanha, sendo que no primeiro semestre de 2019 essa diferença acentuou-se com 335 mil euros investidos, em média, por quarto transacionado em Portugal a comparar com os 114 mil euros totalizados em Espanha.

"O facto de as transações ocorridas em Portugal serem maioritariamente em produtos de qualidade superior ou luxo, justificam o valor médio de investimento por quarto", explicou a consultora.

Já a estrutura de oferta hoteleira encontra-se "em fases de maturidade distintas nos dois países".

Em Portugal, o mercado hoteleiro está numa fase marcada por um "número ainda limitado" de hotéis com marca internacional, que contabilizam 38% da oferta total, localizando-se, sobretudo, nas principais cidades e integrando o segmento alto e/ou de luxo, enquanto, em Espanha, o mercado é mais maduro, "com um maior 'stock' de hotéis com marca em todas as categorias, e que se encontra em expansão para cidades secundárias e terciárias".

Tendo em conta esta diferença, a limitação no 'stock' de produto para investir e o crescente interesse dos investidores pelo mercado ibérico, a Cushman & Wakefield "antecipa que os investidores se foquem, cada vez mais, em ativos fora de Lisboa, Barcelona e Madrid, passíveis de devolver níveis de retorno mais elevados, destacando-se, nesse contexto, o Porto".

O estudo perspetiva ainda "um desempenho positivo" da ocupação no mercado hoteleiro em Portugal e Espanha, prevendo um volume de 390 milhões de noites compradas até 2021 na Ibéria, "apesar das preocupações internacionais advindas do abrandamento da economia global e da instabilidade associada ao 'Brexit'" (saída do Reino Unido da União Europeia).

Assim, o interesse de investidores e operadores internacionais pelo mercado hoteleiro em Espanha e Portugal "deverá manter-se em alta", concluiu a consultora.

A Cushman & Wakefield conta com 51.000 colaboradores distribuídos por 400 escritórios em 70 países.

 

Ademar Dias

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