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Loulé: famílias com menos recursos vão ter acesso gratuito a medicamentos

Autarquia louletana aderiu à Rede Solidária do Medicamento. Famílias com menos recursos do concelho vão ter acesso gratuito a medicamentos.

 

Vidreira Louletano

Infiltração Zero

Vítor Aleixo, presidente da Câmara Municipal de Loulé, e Maria de Belém Roseira, embaixadora da Associação Dignitude, foram os signatários do protocolo celebrado esta terça-feira tendo em vista a adesão do Município ao Programa abem: Rede Solidária do Medicamento. Através desta iniciativa, os louletanos com maiores dificuldades económicas passarão a aceder gratuitamente a toda a medicação prescrita por receita médica, em toda a rede de farmácias do país aderentes.

Como explicou Sara Nóbrega, gestora de parcerias, “o programa tem como protagonista as famílias carenciadas que são identificadas pelo Município”. Através dos técnicos dos serviços da Divisão de Coesão Social e Saúde, profundos conhecedores da realidade concelhia e com competência e experiência na referenciação dos cidadãos em situação precária, será realizada uma análise e posterior seleção dos beneficiários, de acordo com o que está estabelecido no protocolo. Segue-se, então, a emissão do cartão que dá acesso à obtenção, de forma gratuita, de medicamentos sujeitos a receita médica e comparticipados pelo Estado. “O que o programa vai fazer é comparticipar o remanescente que o utente teria de pagar na farmácia e que, de outra forma, não teria dinheiro para o fazer.”, explicou esta farmacêutica.

Os cartões são validados online, permitindo, por exemplo, que o beneficiário que hoje tem apoio, e caso a sua situação melhore, possa não ter mais necessidade de integrar o programa, dando lugar a outros beneficiários.

Tendo em conta que a transparência é de primordial importância para a Associação Dignitude, foi criado um fundo solidário que “dá a garantia de que todos os donativos que são dados para o Programa abem são utilizados exclusivamente no pagamento dos medicamentos”, considerou Sara Nóbrega.

Para operacionalizar este projeto, a Associação Dignitude estabeleceu parcerias com autarquias, instituições particulares de solidariedade social locais e com as farmácias, enquanto que toda a parte da estrutura e logística necessária ao funcionamento da associação é custeado pelas associações promotoras – Associação Nacional das Farmácias, Associação das Farmácias de Portugal e APIFARMA – Associação Portuguesa da Indústria Farmacêutica.

Refira-se que esta Rede Solidária do Medicamento foi criada em maio de 2016 e integra neste momento 115 concelhos, 120 parcerias, mais de 600 farmácias, mais de 8000 beneficiários (15% dos quais são crianças), tendo já entregue mais de 200 mil embalagens de medicamentos.

Para os responsáveis do programa, os objetivos passam por atingir, até ao final deste ano, 14500 beneficiários e, em 2020, chegar aos 30000.

Para a embaixadora da Associação e antiga Ministra da Saúde, Maria de Belém Roseira, esta Rede pretende colmatar uma época em que “as farmácias tinham mais possibilidade de fazer aquilo que era normal fazer que era dar os medicamentos e as pessoas iam pagar quando podiam”. Face às dificuldades ao nível da sustentabilidade das farmácias e à própria incapacidade financeira dos utentes, surgiu a ideia de criação da Associação Dignitude que teve como fundadores “um conjunto de pessoas incentivadas a associar-se a esta causa”, entre as quais António Arnaut, Odete Ferreira, Ramalho Eanes, João Silveira e a própria Maria de Belém Roseira.

“Estar doente, ser doente crónico e não ter acesso aos medicamentos significa uma injustiça social enorme, muita gente fica impossibilitada de cumprir a vigilância da sua doença porque lhe faltam uns euros ou mesmo cêntimos”, salientou esta responsável da Dignitude, considerando também a dificuldade do sistema de segurança social em dar este apoio a todos os cidadãos.

A antiga responsável pela pasta ministerial da Saúde sublinhou ainda a importância da transparência neste programa. Um programa inovador que, de resto, já foi premiado por diversas vezes pela importância do alcance social do mesmo.

Já Vítor Aleixo falou do “conteúdo muito nobre deste protocolo uma vez que a sua aplicação prática resultará na ajuda a muitos munícipes de Loulé que passarão a ter acesso à medicação que necessitam”.

O autarca sublinhou as “políticas sociais muito ativas que têm sido implementadas no Concelho nos últimos anos”, e elogiou os recursos humanos da Câmara Municipal que têm feito “um trabalho extraordinário junto das famílias que sentiram de uma maneira mais severa a crise”. Nesse sentido, garantiu que a seleção dos munícipes que irão beneficiar deste programa será feita de forma “rigorosa, exaustiva e muito criteriosa”. Relembrou que esta é uma medida adicional ao Loulé Solidário, projeto através do qual a Autarquia apoia os cidadãos mais vulneráveis em termos socioeconómicos, comparticipando o pagamento das rendas, água, luz, gás, mas também apoiando o acesso a medicamentos.

Ao abrigo da Rede Solidária do Medicamento, nesta primeira fase, a Autarquia irá disponibilizar 10 mil euros para ajudar a cobrir as despesas de farmácia relativas a 100 beneficiários.

 

Ademar Dias

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