N Engenheiros
Mulheres ainda continuam fora dos empregos científicos e da tecnologia

Um estudo do Instituto Europeu para a Igualdade de Género, hoje divulgado, mostra que Portugal está a melhorar nesta área, mas que as mulheres ainda só representam 9% dos profissionais destes sectores.

 

Vidreira Louletano

Infiltração Zero

Um estudo do Instituto Europeu para a Igualdade de Género, hoje divulgado, mostra que Portugal está a melhorar nesta área, mas que as mulheres ainda só representam 9% dos profissionais destes sectores.

Segundo os dados, Portugal passou para 16º lugar no ranking, depois de ter ficado na 21ª posição em 2015, indicando o Instituto Europeu para a Igualdade de Género (EIGE na sigla original) que está a progredir de forma mais rápida do que outros países europeus.

A divulgação do estudo coincide com o lançamento da 3ª edição do Projeto Engenheiras Por Um Dia, que arranca hoje, envolvendo 11 instituições de ensino superior e empresas como Altran, EDP, IKEA e Microsoft.

Em anos anteriores a iniciativa contou com mais de 3.000 estudantes e é considerada uma âncora do combate à segregação das profissões, de aumento de mulheres nas tecnologias e engenharias em Portugal e da promoção da igualdade entre homens e mulheres na educação e no emprego.

O projeto é promovido pelo Governo e está integrado na Estratégia Nacional para a Igualdade e Não Discriminação - Portugal Mais Igual, com a coordenação técnica a cargo da Comissão para a Cidadania e a Igualdade e de Género, em parceria com a Carta Portuguesa para a Diversidade, o Instituto Superior Técnico e a Ordem dos Engenheiros.

Os números relevados pelo índice do EIGE validam uma realidade que é reconhecida no terreno por todos os que trabalham na área. O Instituto mede o desempenho dos países em matéria de igualdade de género nos domínios do trabalho, rendimento, conhecimento, poder, tempo e saúde, e o último estudo indica que Portugal está a progredir mais rapidamente do que a média da UE28, tendo subido para o 16.º lugar no ranking, em relação ao 21.º que ocupava em 2015.

Mesmo assim, destaca-se como negativa a segregação sexual das profissões e nas profissões em Portugal, representando as mulheres apenas 9% nos setores das ciências, tecnologias e engenharias, áreas fundamentais na economia do futuro.

"O Diretor-Geral da Agência de Energia Nuclear da OCDE, Willian D. Magwood, numa conferência no IST, reconheceu a profunda desigualdade de género nos setores da tecnologia e engenharia, afirmando que é urgente atrair mais mulheres para estas áreas. Em Portugal, a proporção de mulheres diplomadas nestas áreas caiu de 26,2% em 1999 para 20,6% em 2017, representando apenas 12,8% de estudantes das TIC e 22,8% de estudantes de engenharias", refere a secretária de Estado para a Cidadania e a Igualdade, Rosa Monteiro.

A governante sublinha que "O Engenheiras Por Um Dia é uma medida de política pública que pretende desconstruir a ideia de que estes domínios são domínios masculinos. Procuramos combater os estereótipos sobre o que é suposto ser adequado às mulheres e raparigas e que condicionam as opções escolares e de carreira. Este é um problema sentido por escolas, universidades, empresas e centros tecnológicos.”

Esta é a terceira edição do projeto que vai decorrer ao longo do ano letivo 2019/2020, junto das jovens que frequentam o 3.º ciclo dos ensinos básico e secundário. A iniciativa integra atividades diversas e multidisciplinares, tais como desafios de engenharia, visitas de estudo, ações de mentoria e role model, workshops, laboratórios de engenharia e tecnologia e campanhas locais.

 

Ademar Dias

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