Portugal gasta menos por aluno no ensino superior

Engenharia e matemática no top das preferências dos alunos, revela relatório da OCDE que aponta ainda para mudança geracional em Portugal:

 

Em 2014, os gastos por aluno português no ensino superior estava abaixo da média da União Europeia a 22 (UE22) e da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE).

Segundo o relatório da OCDE, hoje divulgado, os 9.984 euros gastos por aluno do ensino superior (incluindo investigação científica) em 2014 em Portugal ficam milhares de euros abaixo da média de 13.507 euros da OCDE e dos 13.523 euros da média da União Europeia a 22 (UE22).

A OCDE fez ainda contas ao investimento público no ensino superior entre 2010 e 2014, os anos da crise económica e da intervenção externa da ‘troika’, destacando que houve uma quebra de 9% na despesa com o ensino superior público.

Como o número de alunos no ensino superior também caiu nesse período, a quebra na despesa por aluno fixou-se nos 3%, mas contrariando um crescimento médio de 6% nos países da OCDE”, aponta o relatório.

Em 2016, a percentagem de portugueses entre os 25 e os 34 anos com um diploma do ensino superior era de 35%, um crescimento de 16 pontos percentuais face a 2005.

A percentagem de diplomados entre os 25 e 64 anos era em 2016 de 24%, abaixo da média da OCDE de 37%.

Em 2016, 85% dos diplomados com idades entre os 25 e os 64 anos tinha emprego.

Entre a geração mais jovem (25-34 anos), o nível de escolaridade não revela ter grande influência na empregabilidade, dado que a taxa de desemprego nesta faixa etária se situa aproximadamente entre os 10% e os 15%, com o desemprego a afetar um pouco menos quem tem pelo menos uma licenciatura.

Em termos salariais, ter um diploma do ensino superior pode representar um salário quase 75% superior face a quem apenas concluiu o ensino secundário.

Já ter ficado aquém do 12.º ano de escolaridade pode representar uma diferença salarial de cerca de 25% a menos face a quem concluiu a escolaridade obrigatória.

 

Engenharia e matemática no top das preferências dos alunos

As áreas científicas, tecnológicas, de engenharia e matemática atraem cada vez mais estudantes no ensino superior, refere o relatório da OCDE hoje divulgado, que considera que “Portugal está a viver uma mudança geracional” nas escolhas de áreas de estudo.

As áreas de engenharia, indústria e construção são aquelas que melhor representam o salto geracional em termos de escolha de áreas de estudo, aponta o relatório ‘Education at a Glance 2017’ da OCDE, dedicado a analisar o estado da educação nos países parceiros.

Enquanto há apenas 15% de diplomados em engenharia, indústria e construção com idades entre os 25 e os 64 anos, esta área representou a que mais graduados formou em 2015 no ensino superior (21%, que comparam com uma média de 14% na OCDE)”, refere o relatório.

O documento acrescenta que nas áreas de saúde, cuidados e bem-estar, que também atraem cada vez mais alunos portugueses, há uma percentagem total de diplomados de 14%, mas em 2015 foi responsável por 19% dos diplomados no ensino superior.

Em 2015, 28% dos diplomados pelo ensino superior em Portugal graduaram-se em áreas científicas, tecnológicas, de engenharia e matemática [designadas pela sigla STEM], acima da média da OCDE de 23%”, aponta o relatório.

Por outro lado, “apenas 1% dos estudantes obteve um diploma em tecnologias de informação e comunicação (TIC), uma das percentagens mais baixas de todos os países da OCDE”, sendo que a média da OCDE é de 4%.

A OCDE destaca ainda que a desigualdade de género que geralmente está patente nestas áreas de estudo – que atraem mais homens do que mulheres – é menos pronunciada em Portugal, onde as percentagens de mulheres a frequentarem cursos superiores nestes cursos é superior à média dos países parceiros da organização.

 

Ademar Dias

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