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À descoberta do património da saúde com o Centro Hospitalar Universitário do Algarve

A primeira visita do ciclo HosCult – Património Saúde, promovido pelo Gabinete de Comunicação do CHUA, decorreu a 25 de setembro, contando com cerca de 30 participantes. Esta viagem pelo séc. XX em São Brás de Alportel levou à descoberta deste património no concelho e estimulou o interesse para o Património da Saúde no Algarve.

São Brás de Alportel, o concelho mais recente do Algarve, assiste ao longo do séc. XX à construção de quatro hospitais, tendo o Sanatório Carlos Vasconcelos Porto (SCVP) sido o primeiro a ser inaugurado em 1918, com a finalidade de tratar os ferroviários portadores de tuberculose.

Em 1928 é apresentado o projeto para outro hospital, da autoria do arquiteto Carlos Ramos. O lançamento da primeira pedra foi em 1931, dando inicio à sua construção, não chegando a ser concluído. Posteriormente, nos anos 70 do séc. XX, a estrutura iniciada foi integrada no edifício que se destinou a albergar um centro para doentes psiquiátricos. Hoje, o espaço acolhe a Santa Casa da Misericórdia de São Brás de Alportel.

Nos anos 40 surge uma proposta para a construção de um outro sanatório, num terreno localizado a nascente do SCVP, adquirido pela Junta Central da Casa dos Pescadores, um projeto de grandes dimensões da autoria do arquiteto Jorge Oliveira, mas que acabou por não ser construído. Já nos anos 50 este arquiteto volta a ser chamado para a ampliação do sanatório que ali existia, o que também acabou por não acontecer. Essa ampliação vem a ser construída com um projeto do arquiteto Augusto Galvão, da Comissão das Construções Hospitalares e é inaugurada em 1968, enquanto Instituto de Assistência Nacional aos Tuberculosos (IANT).

Em 1966 é finalmente inaugurado em São Brás de Alportel um hospital para cuidar dos são-brasenses, oferta do benemérito José Lourenço Viegas, espaço onde hoje se encontra o Centro de Saúde de São Brás de Alportel.

O Concelho onde a qualidade do ar é uma constante nas fontes escritas, é assim um exemplo com a forte aposta na construção de espaços hospitalares no séc. XX.

A visita conduzida por Cristina Fé Santos, mentora do projeto, Emanuel Sancho, diretor do Museu do Traje de São Brás de Alportel e Vítor Ribeiro, arquiteto, para além de dar a conhecer evidenciou o que ainda falta saber, para melhor compreender como foi a assistência médica no Algarve até aos dias de hoje.

O programa incluiu ainda a visita ao espólio de materiais clínicos que se encontra ao cuidado do Museu do Traje de São Brás de Alportel, e que ainda aguarda a atenção dos investigadores.

Este ciclo de visitas, está integrado na estratégia de valorização do património cultural do CHUA, umas das áreas departamentais do recém criado Departamento de Ensino, Inovação e Investigação.

A próxima atividade deste ciclo de visitas decorre no próximo dia 16 de outubro, data em que se celebra o Dia Mundial da Alimentação, no Centro de Experimentação Agrária de Tavira, com inicio às 10h00.

Ademar Dias

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