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Albufeira Smart City – gestão de ocorrências arrancou ontem após um ano a funcionar internamente

Nesta primeira fase, a plataforma Smart City é dedicada à gestão de ocorrências, que podem ser comunicadas através de uma WebApp, a qual pode ser descarregada em diversos dispositivos móveis ou acedendo através do portal: https://smartcity.cm-albufeira.pt/portal/

“Estamos numa fase crucial das nossas vidas devido à pandemia, que há mais de um ano provocou uma crise sanitária, económica e social, com graves impactos na nossa comunidade”. Mas a vida não para e, por isso, à semelhança das pessoas, a atividade dos municípios tem que continuar em prol do bem-estar da comunidade. “Não nos podemos esquecer do próximo Quadro Comunitário de Apoio e do PRR – Plano de Recuperação e Resiliência, instrumentos que implicam novos financiamentos que temos que saber aproveitar ao máximo, com vista a alavancar a economia e a melhorar a qualidade de vida dos residentes e de quem nos visita. Para o efeito já estamos a trabalhar em força no Plano Estratégico Albufeira 2030”, destacou o presidente da Câmara Municipal de Albufeira.

José Carlos Rolo, que estava visivelmente satisfeito, esclareceu que a plataforma Smart City – Gestão de Ocorrências começou a funcionar em maio de 2020, numa fase experimental, estando agora finalmente em condições de ser disponibilizada ao público.

Refira-se que a utilização é bastante simples, o utilizador deverá efetuar o registo na plataforma que dá acesso à aplicação e para reportar a ocorrência, basta indicar no mapa o local, tipificar a situação e anexar uma fotografia para ilustrar.

“A plataforma Smart City – Gestão de Ocorrência, que hoje apresentamos, integra-se num dos eixos do Portugal 2030, nomeadamente na Transição Digital, que passa pelo uso racional das tecnologias em prol do melhoramento dos serviços e do bem-estar dos cidadãos”, destacou. Através desta aplicação é muito fácil um munícipe ou um funcionário da autarquia comunicar uma ocorrência em qualquer zona do concelho, como por exemplo uma rutura de água, um buraco na estrada ou um problema de limpeza. Após submissão na plataforma, a comunicação será registada na sala de controlo smart city, localizada no r/ch dos Paços do Concelho, após o que será analisada e encaminhada para resolução do serviço competente. Durante o processo o munícipe será informado acerca da resolução do mesmo.

José Carlos Rolo sublinha que se trata de uma excelente oportunidade para o exercício dos direitos de cidadania. Os cidadãos devem ser elementos ativos da sociedade e participar na gestão da comunidade onde residem, frisou. “Temos uma excelente ferramenta à disposição, mas para que funcione é necessário que se comunique as ocorrências através da plataforma Smart City, que haja uma corresponsabilização e um compromisso da parte de todos para que as situações reportadas sejam efetivamente resolvidas. Só assim teremos um sistema credível”, referiu, acrescentando que “no que diz respeito ao Município, já promovemos reuniões com os responsáveis dos diversos serviços, bem como com as empresas que trabalham diretamente com a autarquia, no sentido de os sensibilizar para a importância de não se defraudarem as expectativas dos cidadãos”.

José Carlos Rolo terminou a sua intervenção, destacando que esta é apenas a primeira fase de um projeto que se quer levar mais longe, uma vez que a plataforma pode ser aplicada a outras áreas, nomeadamente à gestão dos resíduos, eficiência energética, mobilidade urbana, segurança, ocupação das praias, entre outras importantes ao nível da intervenção municipal. A “Smart City é uma ferramenta extraordinária de ajuda à gestão, um programa com múltiplas aplicações e desafios que se vão construindo dia a dia, com o propósito de melhorar a vida dos cidadãos, dos residentes e dos turistas”, concluiu.

A aplicação possibilita a comunicação em tempo real, com a vantagem de permitir tipificar as várias ocorrências de acordo com as áreas e respetiva gravidade, analisar a evolução dos tempos médios de resolução dos problemas, entre outro tipo de sinergias que no final permitem aproximar o cidadão comum de quem gere a coisa pública, resolvendo os problemas de forma mais eficiente e transparente e inclusive antecipar cenários face ao histórico disponibilizado pela plataforma.

Pedro Figueiredo, responsável pela Contratação Pública da NOS, sublinhou que a empresa é um parceiro com experiência no âmbito do processo de transição digital das cidades. Refira-se que a NOS começou o processo das Smart Cities há cerca de cinco anos. “Começámos a construir o que poderia ser uma cidade mais inteligente, mais ligada, e fizemos isto porque conhecemos as espectativas das pessoas e como se relacionam com a tecnologia. Temos acompanhado a transformação das cidades e, juntamente com estas, conseguimos inovar e criar novas infraestruturas tecnológicas. Para além disso, temos um conjunto de parceiros em várias áreas dos municípios, uma plataforma integradora de dados abertos que nos permite recolher informação de todas as áreas essenciais à cidade, garantindo a prestação de um serviço online 24 horas por dia, 7 dias por semana.” Sublinhou que a empresa é um fator essencial na ligação das cidades e na criação de cidades inteligentes “porque o 5G vem-nos trazer várias variantes da internet das coisas, da ligação dos equipamentos, dos sensores e da rede estandardizada para as coisas comunicarem, que permite grande propagação de dados, como por exemplo as regas, os sensores ambientais, a gestão dos resíduos, tendo frisado que todos os carros e contentores do lixo deveriam ter sensores para comunicar o seu estado, aumentando a eficiência dos referidos trajetos. Há outra variante que permite blocos maiores de informação, que vai servir para vídeo, para radares de polícia, onde há a necessidade de dados mais concretos para transmitir à sala de gestão e controlo. Temos a componente que serve para a condução de veículos autónomos, para comunicarem entre si e com infraestruturas de comunicação que possam ajudar na circulação nas cidades. Há ainda toda a componente de vídeo com alta resolução em tempo real, que serve para ajudar os drones na vigilância das florestas, das praias, do mar, aos Bombeiros, etc. Para ser uma Smart City é preciso ligar as coisas, colocar tudo a comunicar, para receber a informação que vai fazer com que possamos decidir melhor.

Este é o primeiro passo, mas como vemos há uma enormidade de variantes a explorar que irão possibilitar o melhoramento da gestão do território e dos serviços prestados aos cidadãos.

 

Ademar Dias

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