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Apenas 13% dos portugueses afirmam que o seu poder de compra aumentou face a 2020

Devido à crise sanitária da pandemia da COVID-19 que tem colocado o mundo em suspenso, verificou-se estagnação da economia, perda de rendimentos e interrupção da vida social. Neste contexto, os dados do Barómetro Europeu do Observador Cetelem revelam que Portugal foi o terceiro país europeu com maior impacto negativo no poder de compra para os consumidores, com apenas 13% dos portugueses a afirmarem que este aumentou - uma queda de 50% face a 2020 (26 p.p.).

Quando questionados sobre a subida dos preços, embora 75% dos portugueses considerem que os preços dos produtos/serviços têm vindo a aumentar, esta perceção diminuiu face aos 82% de 2020. É ainda interessante notar que a impressão de que os preços aumentaram perdeu terreno de forma consistente em quase todos os países nos últimos três anos. Em 2019, 8 em cada 10 europeus acreditavam nisto, mais dez pontos percentuais do registado agora, com mais de metade (70%) a consideram que os preços aumentaram - uma descida de 8 pontos percentuais face a 2020.

Ao observar o quadro geral dos países, verifica-se que apenas na Bélgica aumentou a proporção de cidadãos que consideram que os preços aumentaram (77% em 2020 para 81% em 2021).

Contudo, de acordo com os dados do estudo, a perceção dos europeus é de que o seu poder de compra, nos últimos 12 meses, se manteve em linha com o do ano anterior, sendo esta opinião apoiada por 1 em cada 2 europeus (mais 2 pontos percentuais face a 2020). Os apoios governamentais e a queda do consumo, devido ao encerramento de estabelecimentos, parecem explicar este resultado.

O maior impacto no poder de compra verificou-se na Roménia (menos 16 pontos). Apesar disso, ainda foram 21% dos romenos que afirmaram que o seu poder de compra aumentou, um número superior à média dos países europeus inquiridos (17%). Seguido da Roménia, encontra-se a Polónia com 18% (menos 15 pontos), e Portugal (menos 13).

Espanha (11%), Itália (11%) e Bélgica (12%) foram os países onde menos cidadãos afirmaram que o seu poder de compra aumentou, no entanto, registam variações inferiores ao impacto em Portugal (-11 p.p., -9 p.p. e -5p.p., respetivamente). Suécia (25%), Reino Unido (22%), Alemanha, Áustria e Bulgária (cada um com 21%) foram os países onde mais cidadãos afirmam que o seu poder de compra aumentou, tendo registado variações negativas de -8 p.p., -4p.p., -3p.p., -4p.p. e -9p.p.

Já 37% dos europeus afirmam que o seu poder de compra diminuiu - o que representa uma subida de 5 pontos relativamente ao ano anterior - ao passo que para 17% aumentou (menos 7 pontos percentuais face a 2020). Em nenhum dos 15 países do inquérito se registou uma variação positiva.

 

Ademar Dias

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