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Fórum para a Competitividade estima que Portugal cresça 2,5% a 4,5%

O Fórum para a Competitividade estima que a economia portuguesa cresça 2,5% a 4,5% este ano, numa "perspetiva mais prudente" que outras que apontam para mais de 5%, e antecipa uma "aceleração limitada" da inflação, para 2% a 4%.

"Várias fontes disponíveis consideram que a economia deve acelerar em 2022, podendo crescer acima de 5%, mas esta previsão deve ser lida com cautela, porque está relacionada com o atraso da recuperação portuguesa", lê-se nas 'Perspetivas Empresariais' do Fórum, relativas ao quarto trimestre de 2021 e hoje divulgadas.

Segundo explica, "em primeiro lugar, esta aceleração é, sobretudo, um sinal do atraso na retoma, que deixou um hiato maior para preencher, e não deve ser confundida com qualquer tipo de dinamismo intrínseco à atividade nacional".

"As economias que vão desacelerar no próximo ano são aquelas que ou já completaram a recuperação, ou estão mais adiantadas neste processo", refere.

Em segundo lugar, o Fórum para a Competitividade avança o facto de "os obstáculos internacionais à recuperação" terem sido "mais persistentes do que o esperado": "A escalada nos preços da energia continua muito forte, bem como as dificuldades no abastecimento de componentes à indústria, com um forte impacto sobre a inflação", considera.

E, se "os bancos centrais estavam a encarar a subida de preços de forma despreocupada, esta atitude mudou, tendo havido revisões em alta de subidas de taxa de juro, que se poderão repetir ao longo do ano", nota.

No caso do Banco Central Europeu (BCE), o Fórum refere que "ainda não se antecipam subidas da taxa de referência", mas admite que "isto pode mudar ao longo de 2022".

Considerando, assim, que "há vários sinais de preocupação para este ano, em particular a persistência da inflação", o Fórum para a Competitividade adota "uma perspetiva mais prudente, estimando que o PIB [Produto Interno Bruto] de 2022 possa crescer entre 2,5% e 4,5%, em linha com 2021 ou, se os cenários menos favoráveis se concretizarem, abaixo do registado no ano transato."

O Fórum recorda que, no terceiro trimestre de 2021, "a economia portuguesa abrandou de 4,4% para 2,9% em cadeia, a que correspondeu uma desaceleração mais pronunciada em termos homólogos, de 16,1% para 4,2%, embora estes segundos valores estejam muito distorcidos pelas flutuações excecionais registadas em 2020".

"Em termos europeus, Portugal registou a segunda recuperação mais atrasada de toda a UE [União Europeia]", nota, acrescentando que, "no quarto trimestre, as restrições então decididas conduziram a um abrandamento da atividade em Portugal, não permitindo recuperar aquele atraso".

No que se refere à evolução dos preços, o Fórum para a Competitividade lembra que, "em Portugal, a taxa de inflação homóloga tem estado sistematicamente abaixo da da zona euro, tendo-se fixado em torno de 1,5% no terceiro trimestre de 2021", e que "só no quarto trimestre se notou uma aceleração sucessiva, tendo atingido os 2,7% em dezembro, enquanto a inflação média de 2021 foi de apenas 1,3%".

Para a instituição, "até meados de 2022 é provável a persistência de tensões inflacionistas significativas, mas que deverão abrandar posteriormente", sendo de prever "uma aceleração limitada da inflação em 2022, para entre 2% e 4%".

Liderado pelo empresário Pedro Ferraz da Costa, o Fórum para a Competitividade assume-se como "uma instituição ativa na promoção do aumento da competitividade de Portugal, através de estímulos ao desenvolvimento da produtividade nas empresas".

 

Ademar Dias

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