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Taxa de poupança dos portugueses sobe para 10,8% mesmo com desconfinamento

No verão, mesmo com o gradual desconfinamento e o aumento do consumo privado, os consumidores portugueses não baixaram a sua taxa de poupança. Pelo contrário: de acordo com os dados do Instituto Nacional de Estatística (INE) divulgados esta quarta-feira, a taxa de poupança aumentou 0,3 pontos percentuais para os 10,8% no terceiro trimestre, acima dos 10,5% registados no segundo trimestre.

Este é o valor da taxa de poupança mais elevado desde o segundo trimestre de 2013, período em que também estava nos 10,8%.

“A taxa de poupança das famílias aumentou em 0,3 p.p. para 10,8% do rendimento disponível, em consequência do aumento do rendimento e da variação nula da despesa de consumo, (-3,5% no trimestre anterior)“, revela o gabinete de estatística no destaque divulgado esta quarta-feira. Recorde-se que estes valores se referem ao ano terminado no trimestre, alisando os números, e não apenas ao trimestre em si, o qual podia dar uma imagem diferente.

Ou seja, de facto os portugueses consumiram mais no terceiro trimestre, recuperando praticamente o consumo que tinham feito no mesmo período do ano passado. No entanto, houve um aumento do rendimento bruto disponível (+0,4%) durante este período, o qual permitiu um aumento da taxa de poupança durante o verão.

“O rendimento disponível bruto das famílias ajustado per capita fixou-se em 16,3 mil euros no ano terminado no terceiro trimestre de 2020, o que representou um aumento de 0,4% face ao trimestre anterior, enquanto o PIB nominal per capita diminuiu 1,1% no terceiro trimestre de 2020″, refere o INE.

A taxa de poupança mede a parte do rendimento disponível que não é utilizado em consumo final, sendo calculada através do rácio entre a poupança bruta e o rendimento disponível, de acordo com a definição utilizada pelo INE.

No último boletim económico, o Banco de Portugal antecipava que, no agregado, o rendimento disponível dos portugueses não será afetado pela crise pandémica graças aos apoios dados pelo Estado, ainda que tal esconda diferentes impactos em diferentes camadas da população. Os números do INE mostram isso mesmo com as prestações sociais e os impostos (redução destes) a dar o maior contributo para o aumento do rendimento disponível no terceiro trimestre.

“No quadro 3, que apresenta a decomposição da taxa de variação do rendimento disponível, as prestações sociais e os impostos sobre o rendimento contribuíram em 0,3 e 0,2 p.p. respetivamente”, relata o gabinete de estatísticas, referindo que “o Excedente Bruto de Exploração (EBE) e as Remunerações contribuíram em -0,1 p.p. e 0,1 p.p. para a variação do RD, respetivamente”.

 

Ademar Dias

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