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Universidade do Algarve estuda uso da saliva na deteção do SARS-Cov-2

A Universidade do Algarve (UAlg) está a estudar o uso da saliva na recolha de amostras para detetar o novo coronavírus. Segundo os investigadores, este é um método menos invasivo face ao clássico teste à mucosa do nariz.

“O objetivo é tentar validar outros métodos para a recolha de amostras, especialmente para crianças e pessoas com algumas patologias, já que o atual método de PCR é muito invasivo”, explicou Clévio Nóbrega, do Centro de Investigação em Biomedicina (CBMR) da UAlg.

Em declarações à Lusa, o responsável adiantou que a investigação procurou “comparar a eficácia da recolha da saliva com a nasofaríngea e posterior análise por PCR, processo baseado em biologia molecular e que permite aumentar a quantidade de material genético para deteção do novo coronavírus (SARS-Cov-2)”.

Em colaboração com o Centro Hospitalar Universitário do Algarve (CHUA), os investigadores obtiveram amostras de pacientes internados através de três tipos de recolha, a “clássica” nasofaríngea (com a recolha de secreções do nariz), pela saliva e orofaríngica, obtida no fundo da garganta.

De acordo com Clévio Nóbrega, obtiveram-se “os mesmos resultados”, tendo sido possível detetar pela saliva “o mesmo nível” que a amostragem “clássica”, o que faz com que, em alguns casos, possa “ser utilizado este tipo de recolha”.

Sublinha ainda que os investigadores “estão a tentar retirar o passo da extração do material genético do vírus, passando diretamente da recolha para a técnica PCR, evitando um passo, o que tornaria o processo mais barato e muito mais rápido”.

Contudo, Clévio Nóbrega, lamenta o facto de até agora os resultados ainda não serem positivos, tendo os investigadores conseguido “alguma amplificação no PCR e alguma deteção do vírus”, mas “muito baixa”, comparada com os resultados obtidos com o método utilizado atualmente.

“Não são resultados suficientemente fidedignos. Continuamos a testar e a otimizar. Temos, infelizmente, pandemia para algum tempo e o nosso grande objetivo é conseguir otimizar e é nisso que estamos a trabalhar ainda”, concluiu.

 

Ademar Dias

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